 Verde e sustentável!
Cultivar os alimentos, reciclar o lixo e usar a tecnologia a favor do meio ambiente. Inspire-se com o estilo de vida dos permacultores por Ana Gomes / Shutterstock

Viver em uma sociedade em que as pessoas se respeitam, cuidam de si, dos outros e do meio ambiente. Para quem nunca ouviu falar na permacultura, um estilo de vida mais responsável em que vale não apenas o bem-estar próprio, mas o de futuras gerações, a frase acima até parece um conto de fadas. Espalhados por todo o Brasil, os adeptos da técnica dão uma verdadeira aula de como usar os recursos naturais e a tecnologia sem agredir a natureza. A seguir, acompanhe o bate-papo com a educadora e permacultora de Florianópolis (SC) Suzana Martins Maringoni, uma das fundadoras da Rede Permear de Permacultores. Confira!
O permacultor deve seguir três princípios: cuidar do planeta, das pessoas e aprender a compartilhar
Vida Natural - O que é a permacultura?
Suzana Martins Maringoni - Trata-se de uma maneira de arquitetar soluções para a crise ambiental e, assim, vivermos de forma mais responsável frente às gerações futuras.
VN - Como surgiu esse conceito?
SM - Foi criado pelos australianos David Holmgren e Bill Mollison, na década de 1970. David buscava outro significado às relações de moradia, alimentação e autonomia. Bill era seu mentor. Ambos, em uma intensa convivência, fizeram essa síntese entre agricultura orgânica, bioarquitetura e energias alternativas. Portanto, pode-se dizer que a permacultura alia os conhecimentos ancestrais à evolução tecnológica.
VN - Em quais locais a permacultura pode ser praticada?
SM - Em qualquer lugar. A permacultura é pautada em três princípios: deve-se ter cuidado com a Terra, com as pessoas e compartilhar excedentes, restringindo seu consumo. Se uma ação passa pelo crivo dessa ética, muito pode ser feito.
VN - Como funciona?
SM - A solução dos problemas deve estar o mais perto possível de sua origem. Dessa forma, o lixo e esgoto devem ser cuidados por você mesmo - e existem técnicas e soluções simples para isso. Nos grandes centros urbanos a situação é mais complicada, pois não há um sistema sustentável. Em outras palavras, a qualidade social, política e ambiental está no modelo de cidades menores, onde o próprio grupo resolve os problemas de alimentação, moradia, resíduos, entre outros.
VN - Como é o ambiente que cerca os permacultores?
SM - A alimentação é composta pelo mínimo de produtos industrializados possível e com muitos itens naturais e orgânicos. Na casa, busca-se construir ou adaptar sistemas para tratar o esgoto e lixo. No geral, há 'cacarecos' na garagem dos permacultores, pois a reciclagem faz parte do cotidiano. Na minha há um reator de biodiesel feito de bombonas de plástico. Além disso, faço sabão para uso próprio. Dessa forma, reduzo o lixo. Há muita 'festa' também! Os permacultores se encontram, trocam alimentos, sementes, idéias, fotos, vídeos e experiências.
VN - Quais alimentos não entram em sua casa?
SM - Praticamente, todos os industrializados. O motivo é simples: é preciso ter cuidado com o que se ingere, afinal, somos aquilo que comemos. Uso um pouco de açúcar, grãos, verduras, frutas, mel, entre outros. Comemos pouca carne, mas não somos vegetarianos.
VN - As crianças que crescem em meio à permacultura chegam a sentir falta de alguma coisa?
SM - A permacultura não isola ninguém. Somos seres humanos normais. Minhas três filhas viveram a adolescência na permacultura. Reclamaram com a falta de produtos industrializados, mas são pessoas normais e hoje optam pelo o que comem e também sabem questionar. Inclusive a nós, adultos!
VN - Há algum tipo de proibição na rede que merece destaque?
SM - Não há critério de proibição. O que buscamos é trabalhar com consciência. Consideramos como 'proibido' todos os produtos antiéticos, como as telhas de amianto [a fibra do material pode causar problemas de saúde] os transgênicos ou o PVC [o material contém substâncias que podem prejudicar a fertilidade].
VN - É possível ser auto-suficiente por meio da permacultura?
SM - Sim! Em uma área pequena é pos- sível cultivar muitos alimentos. Quanto à energia, também, afinal, temos a solar e eólica, etc. O mesmo no que diz respeito à água! Na maioria das regiões do Brasil cho- ve muito, portanto, usar essa água deveria ser prioridade. Agora, ser auto-suficiente para possuir um carro ou um computador, é impossível. Por isso, achamos fundamen- tal ter cuidado com o que possuímos. Se compro um carro, devo cuidar e fazê-lo durar bastante.
VN - Quais dicas daria para as pessoas que vivem nas grandes cidades?
SM - Reduza o consumo e resgate o hábito de fazer as coisas. Prepare a própria comida, plante um canteiro, olhe o clima e o céu. As- sim, começamos a perceber que é possível ter menos e ser mais.
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