 Reciclagem coletiva
Usando o bom senso é possível dar um final mais limpo para o lixo urbano. Veja como organizar um sistema de coleta na vizinhança por Caroline Marques / Shutterstock
Como a questão do lixo é tratada na sua rua? Cada morador faz a sua parte e separa o que é reciclável ou ninguém se importa e tudo vai parar na esquina? É sabido que a reciclagem diminui a exploração dos recursos naturais, reduz os impactos ambientais e economiza energia nos processos produtivos e no transporte de resíduos sólidos. Mas, será que você e seus vizinhos estão colaborando para isso? Nesta reportagem, Vida Natural & Equilíbrio mostrará algumas dicas de como organizar um sistema de reciclagem coletiva.
Antes de mais nada, é importante saber que existem três tipos de coleta nas residências: a regular, feita por caminhões compactadores que retiram o lixo e o transportam para uma unidade de tratamento ou de disposição final mais próxima; a seletiva, através da entrega voluntária em postos específicos; e as caçambas ou caminhões especiais para a retirada de entulho de obras e reformas. Acompanhe cada passo, reúna os vizinhos e dê um destino correto para o lixo!
1º Passo: a conscientização
Para implantar um sistema de reciclagem coletiva entre todos os moradores da rua é preciso, em primeiro lugar, educar seus vizinhos e incentivá-los a reduzir o consumo. Essa atitude tem o objetivo de diminuir o montante de lixo da rua. Uma boa sugestão para estimulá-los a repensar sobre esse tema é fazer a seguinte pergunta: Você já parou para pensar por que desperdiça tanto? Não adianta, por exemplo, apenas falar para as pessoas que elas devem recusar sacolas descartáveis e explicar o impacto ambiental do plástico na natureza. Esse esforço de conscientização, com toda sua carga informativa, é importante, mas, muitas vezes, insuficiente. "Para gerar mudanças efetivas de comportamento é preciso envolver novos valores e sentimentos", explica a educadora ambiental Patrícia Blauth, diretora da Menos Lixo - Projetos e educação em resíduos sólidos. Quem utiliza um modelo de sacola durável já desenvolveu um forte vínculo afetivo com o ambiente. Segundo a educadora ambiental, a partir do momento que se cria esse "relacionamento" e um senso de fazer a diferença, a consciência da reciclagem flui naturalmente.
2º Passo: Como separar o lixo
Pronto! Seus vizinhos já se sensibilizaram e estão dispostos a reduzir o consumo e implantar um sistema de reciclagem na rua. Então vamos para o próximo passo: fazer o levantamento de quanto e quais resíduos são produzidos. Segundo a doutora em hidráulica e saneamento Mércia Regina Domingues Moretto, e assessora técnica do Instituto Samuel Murgel Branco (ISMB), uma forma simples de fazer este levantamento é propor um questionário e aplicá-lo na vizinhança. Nele, os moradores informarão quais os tipos de resíduos gerados em cada residência e a quantidade de lixo produzida por dia, semana ou mês.
Tendo estes dados em mãos, é hora de estimular a separação correta do lixo em cada casa. Para Patrícia, dar bons exemplos é sempre uma tática nesta hora. "Quando me perguntam por que estou transportando lixo para reciclagem, eu respondo: 'Levando lixo, eu? Que nada! Estou recuperando recursos naturais'", diz a educadora ambiental. Segundo ela, usar o bom humor é a melhor resposta nestas horas. "Nosso desejo, enquanto educadores, não é fazer com que as pessoas ajudem a salvar o planeta e sim contribuir para que elas sejam mais felizes ao fazê-lo", acrescenta Patrícia.
Entendendo os "por quês" da reciclagem, é hora de ensinar o "bê-á-bá" da separação do lixo. A maioria das pessoas acredita que para separar o lixo é preciso ter coletores específicos, separados por cores: azul (papel); vermelho (plástico); verde (vidro); amarelo (metal) e marrom (não-recicláveis). Entretanto, experiências têm demonstrado que separar recicláveis, não recicláveis, orgânicos e óleo de cozinha já é suficiente (ver box na página anterior). "Os resíduos recicláveis, depois de coletados, são misturados nas próprias centrais de triagem, onde é feita a separação de acordo com as demandas e processos específicos", explica a gestora ambiental Natália Almeida Souza, pela Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (EACH/USP).
Cada um na sua lixeira
Para a reciclagem não virar uma bagunça, saiba onde colocar cada material
Recicláveis: plásticos (embalagens de refrigerantes, de alimentos, e de materiais de limpeza; copos descartáveis; canos e tubos; sacos e sacolas plásticas em geral, garrafas, brinquedos, isopor), metais (latas de alumínio e de folha de flandres, sucatas de reformas, esquadrias e molduras de quadros), vidros (recipientes de bebidas e alimentos, garrafas, frascos, copos), papéis (jornais e revistas, papel de fax, caixas de papelão, embalagens de alimentos).
Não recicláveis: etiquetas adesivas, fitas crepes, papéis sanitários, papéis-carbono, fraldas descartáveis, guardanapos de papel, bitucas de cigarro, fotografias, grampos, esponjas de aço, espelhos, papéis plastificados, metalizados ou parafinados, copos de cristal, cerâmicas, porcelanas, cabos de panela, tomadas, vidros, pirex e similares, lâmpadas fluorescentes, pilhas e baterias (lixo doméstico), etc.
Orgânicos: sobras de comida, cascas de frutas, folhas e galhos de árvores, apara de jardim e madeiras.
Resíduos da construção civil: concreto, tijolo, cimento, ferro, etc. Fonte: Mércia Regina Domingues Moretto, assessora técnica do Instituto Samuel Murgel Branco (ISMB) |
3º Passo: Os tipos de resíduos
Ok, lixo separado, mas para onde cada um deve ser encaminhado? Veja abaixo o que fazer com o reciclável, os restos de alimentos, os resíduos de construção, o óleo de cozinha e com a parte que não pode ser reciclada.
Recicláveis
A remoção do material nas residências pode ser realizada de diversas maneiras, sendo as mais comuns o serviço de limpeza pública municipal, as cooperativas de catadores, os catadores de rua e sucateiros, e indústrias que reciclam o lixo. "Além disso, cada morador pode fazer sua parte levando os recicláveis até os Postos de Entrega Voluntária [PEV] distribuídos em determinados pontos dos municípios", acrescenta Mércia. Estes pontos estão localizados na cidade estrategicamente, como supermercados, parques e praças. "Uma dica para encontrar o PEV mais próximo da sua rua é acessar o site Rota da Reciclagem [www.rotadareciclagem.com.br]. Basta indicar o endereço desejado e o portal localiza os PEVs procurados", diz Fernanda Correia, assessora da ONG Instituto Triângulo. Os moradores da sua rua podem optar também pelas cooperativas de catadores, organizações que gerenciam todo o processo de coleta, separação e venda dos resíduos coletados. Um dos pontos positivos desta opção de reciclagem é que a iniciativa gera inclusão social, já que todo o dinheiro captado é destinado para os próprios catadores. No site do Compromisso Empresarial para Reciclagem (CEMPRE), www.cempre.org.br, é possível encontrar o contato das cooperativas de sua cidade. Segundo a diretora da Menos Lixo, cada entidade funciona de uma maneira: em alguns casos as pessoas levam seus recicláveis até eles, em outros, as cooperativas retiram os resíduos diretamente nas casas. "Vale lembrar que o resíduo reciclável limpo tem um valor comercial bem maior do que o sujo", acrescenta Fernanda.
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