 Saúde em movimentos
Técnica milenar chinesa, o chi kung ensina a colocar em ordem a energia do corpo e ainda ajuda a promover o bem-estar por Caroline Afonso / Shutterstock
Concentrados, os alunos se dedicam a realizar cada movimento lentamente. Como em uma coreografia, eles são realizados de forma sincronizada, mas de acordo com as limitações de cada um. Durante uma hora, a turma realiza uma série de exercícios que trabalha o equilíbrio da energia corporal, base do chi kung (pronuncia-se tchi qung), técnica derivada das artes marciais chinesas. "Os movimentos são de baixo impacto e trabalham três áreas: o corpo, as emoções e a mente", explica Henrique Cirilo, professor do Instituto Brasileiro de Chi Kung e Terapias Afins (Ibrachi).
No Brasil desde a década de 1970, o chi kung tem uma história milenar na China. No início, os mestres de artes marciais chinesas utilizavam os exercícios do método para fortalecer a energia de seus discípulos e, dessa forma, obter melhores resultados ao longo do treino. Com o passar dos anos, as duas modalidades se separaram, mas a base do chi kung chegou intacta ao Ocidente: ainda hoje é usada para equilibrar a circulação da energia vital do organismo. Segundo a filosofia oriental, a desarmonia pode ser a causa de doenças.
Atualmente, existem 6 mil métodos de chi kung reconhecidos pelo país oriental. De acordo com o Instituto é possível dividi-los em três tipos: os exercícios que geram energia, os que a captam e aqueles que a controlam. No entanto, nem todos podem ser praticados sem acompanhamento. "Não há contraindicações, mas não é possível aprender a técnica em poucos dias", lembra Cirilo. O estudante de publicidade Bruno Rica, praticante da técnica há dois anos, concorda: "Mesmo hoje, já com alguma vivência nessa prática, ainda não me sinto confortável em fazer todos os exercícios em casa, somente os que são considerados mais fáceis".
PRÁTICA AO AR LIVRE
Por causa de pessoas como o estudante de publicidade citado, o chi kung se espalha por parques de grandes cidades pelo menos uma vez por ano. É quando ocorre o World Tai Chi & Qigong Day, ou Dia Mundial do Tai Chi Chuan e do Chi Kung, dedicado a integrar praticantes e mestres das terapias chinesas e divulgar as técnicas para aqueles que ainda não conhecem seus benefícios. Marcado sempre para o último sábado de abril, o evento acontece desde 1999 e já conseguiu a adesão de 60 países desde então. O Brasil está na lista desde 2000, com edições cada vez maiores. "O contato com a natureza auxilia no processo de relaxamento, por isso muitos procuram essa alternativa", explica o professor de chi kung.
O processo de relaxamento começa já no início da aula, quando o aluno é convidado a colocar o mundo externo à parte e concentrar-se em si próprio. No decorrer do processo, a postura muda, a respiração se torna mais pausada e consciente e a meditação entra em cena para trabalhar a mente. Na técnica, assim como em outras tradicionais terapias chinesas, a evolução dos movimentos é atingida aos poucos. "No entanto, ao sair de uma aula, a pessoa já consegue se sentir mais relaxada e mais centrada", enfatiza Cirilo.
Por benefícios como esses, o chi kung é conhecido por auxiliar o tratamento de doenças relacionadas à vida moderna, como o estresse e a ansiedade. Fisicamente, é bastante utilizado para aliviar dores musculares e articulares, já que relaxa o organismo ao mesmo tempo em que trabalha os membros inferiores e superiores sem grandes impactos. "Basicamente, praticá-lo aumenta o bem-estar, o que por si só já afasta qualquer ideia de doença", conta, rindo, Bruno. Brincadeiras à parte, estudos comprovam a eficácia do chi kung na melhora dos sistemas digestório e circulatório, no aumento da vitalidade e na diminuição da fadiga.
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Hoje, existem 6 mil métodos de chi kung reconhecidos pela China |
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