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Edição 53
 
 
 

 
 
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Próxima parada, saúde infantil


Camuflar alimentos nutritivos é uma ótima tática para fazer a criança comer de tudo e sem reclamar. Resultado: filhos saudáveis e mães felizes. Vai embarcar nessa?


por Paula Bueno / fotos e produção Diego Rousseaux


PRoDução E FotoS DiEgo RouSSEauX
Pegue esse trem e comece a elaborar pratos nutritivos ainda hoje

É hora do almoço e as crianças estão ansiosas para sentar-se à mesa, repleta de verduras, legumes e pratos saudáveis. No lugar do refrigerante, jarras com suco natural. Para a sobremesa, uma salada de frutas. Muitas mães sonham com essa cena. Mas, na maioria das vezes, nem chegam perto disso.

Na casa da publicitária Sandra Maria Dias o problema começa no momento de servir a refeição. Seu filho, Igor, 11 anos, não gosta de nenhum tipo de legume, se recusa a tomar sopa e há três anos decidiu não comer mais feijão. Segundo a mãe, essa rejeição começou na escola.

Ela conta que o pequeno reclamava do sabor da comida servida lá e que, com o tempo, parou de ingerir certos alimentos. Desde então, Sandra usa alguns artifícios para fazer o filho comê-los. "Procuro colocar esses alimentos em outras comidas que ele gosta, por exemplo, quando faço molho para o macarrão, cozinho com legumes, ou com beterraba à parte e acrescento o caldo ao molho.

Acredito que essa seja uma maneira de ele absorver os nutrientes sem perceber", explica. A secretária Ana Cristina Centini Alves, mãe de Alessandra e Letícia, 11 e 8 anos respectivamente, vive situação parecida. Ela diz que a tática de fazer uma refeição colorida não funcionou, pois as crianças não gostam de alimentos de cor verde. Decidiu camuflá-los.

O arroz sempre tem alguma verdura picadinha; o purê é enriquecido com legume, que é espremido com a batata; a carne e o frango vão escondidinhos entre duas camadas de purê; e o feijão é cozido com beterraba. "Deu certo!", fala. Há pouco mais de um ano, Ana leu uma reportagem que ensinava a fazer uma mini-horta em vasos, e teve a ideia de iniciar a pequena plantação com a ajuda das meninas, para incentivá-las a consumir alguns alimentos.

A horta tem alface, cebolinha, salsinha, rúcula, beterraba e pimentão. "As crianças me ajudam a plantar, colher e a preparar as refeições com esses alimentos. Elas ficam ansiosas em saber como vai ficar o que colheram", explica

Diferentes formas de preparo ajudam a criança a se interessar pela refeição

Convencendo os pequenos

É normal as mães se preocuparem com a alimentação dos filhos, e se os resultados nem sempre são positivos, existem motivos para isso. Por exemplo, hábitos alimentares inadequados da família, interpretação incorreta dos sinais que a criança passa quando não aceita algum alimento, falta de conhecimento dos ingredientes certos para cada faixa etária, entre outros.

Segundo a nutricionista Raquel Pimentel, da Educanutre Consultoria e Assessoria Nutricional (SP), para o crescimento saudável do filho não devemos privilegiar um nutriente. O equilíbrio entre todos eles, proteínas, carboidratos, gorduras, vitaminas, minerais e água, em quantidade, porção e variedade adequada "é que fornece uma alimentação de boa qualidade", atesta.

Outro ponto importante: a criança apresenta diferentes comportamentos em cada fase de crescimento. Saber lidar com eles é fundamental para a formação dos hábitos alimentares. Incentivar o consumo, oferecer e apresentar o alimento ao pequeno é um bom começo. Na opinião da nutricionista Simone Guerra, mestranda da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), a criança só aceitará um alimento após experimentá-lo: "Diferentes formas de preparo ajudam nessa oferta", declara.

A chef Tiça Magalhães utiliza com muito jogo de cintura toda a sua experiência na cozinha para fazer o filho Matheus, 14 anos, se alimente da maneira correta e sem sofrimento.

Ela introduziu os ingredientes que eram pouco atrativos para ele, como cenoura, beterraba e couve, em sucos de frutas. Como o sabor da fruta sempre predominava, o menino bebia sem perceber os outros alimentos. "Argumentar não traz resultados, é preciso criatividade na hora de alimentar os pequenos", afirma.

Se a criança se recusar a comer, não substitua a refeição por outros alimentos. Guarde o prato na geladeira e sirva-o mais tarde

Forçar a criança a comer, ou fazer chantagens, como, por exemplo, oferecer prêmios ou dar castigos, são erros comuns entre as mães, de acordo com a nutricionista Raquel Pimentel. Atitudes como essas podem tornar o horário da refeição um momento de estresse e prejudicar a formação de hábitos alimentares saudáveis.

Para ela, se a criança se recusar a comer, não devemos substituir as refeições por leite, biscoitos, iogurtes ou outros alimentos de fácil aceitação. "Guarde o prato na geladeira e ofereça mais tarde, quando a fome voltar", aconselha. Nas primeiras vezes que isso acontecer é natural que a criança fique emburrada, mas é preciso impor limites.

Variar o cardápio, deixá-la ajudar no preparo dos pratos e fazer as refeições com toda a família em ambiente calmo são algumas dicas para estimular seu apetite e fazer que ela aprenda o valor de uma alimentação saudável. "Um bom piquenique com delícias preparadas por toda a família pode ser uma ótima aula de alimentação saudável ao ar livre", indica a chef Tiça Magalhães.

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