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Edição 53
 
 
 

 
 
equilíbrio
 

Viva melhor!


Respirar profundamente pode resultar em inúmeros benefícios à saúde, como controle da pressão alta,  fim da insônia e redução de ansiedade, estresse e dores crônicas


Por Thaís Manarini


FOTOS: SHUTERSTOCK

Inspirar, expirar. Parece que essa ação que garante nossa sobrevivência não tem segredo, certo? Afinal, ela é realizada naturalmente, o tempo todo. Mas, na prática, a história não é bem assim. Quando somos bebê, temos uma respiração muito mais profunda - para inspirar, enchemos os pulmões e, depois, ao expirar, empurramos o diafragma, esvaziando os pulmões. Com o passar do tempo, isso muda: os medos e as inseguranças tornam a respiração mais acelerada e superficial e passamos a utilizar apenas 30% da capacidade pulmonar.

O problema é que essa afobação toda compromete a eliminação de toxinas, que se acumulam no organismo por conta do estresse do dia a dia, da alimentação errada, da poluição do ar, entre outros. Assim, abre-se caminho para uma série de encrencas - ansiedade, insônia e fadiga intensa são algumas delas. "Ao respirar profundamente, pode-se eliminar 80% dessas toxinas e evitar o desenvolvimento de quadros prejudiciais à saúde", informa Cristina Armelin, coordenadora da ONG Arte de Viver, de São Paulo, que ensina técnicas de respiração em mais de 150 países.

Bem-estar comprovado
Os benefícios da respiração são cada vez mais estudados e valorizados pela comunidade científica. Para se ter ideia, no Instituto Barrow de Neurologia do Hospital e Centro Médico Saint Joseph, no Arizona (EUA), pesquisadores observaram que pessoas que sofriam de dores crônicas, principalmente a fibromialgia, sentiam menos incômodo ao respirar de forma controlada. "A respiração lenta e profunda, chamada de diafragmática, sinaliza para o nosso cérebro que 'não há perigo à vista'. Logo, há um potencial de relaxamento intenso", explica José Alberto Neder, chefe da disciplina de Pneumologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e coordenador do Setor de Função Pulmonar e Fisiologia Clínica do Exercício.

Ainda de acordo com o especialista, o alívio da angústia associada a dores e outros sintomas estressantes é um fator que auxilia no tratamento de qualquer tipo de enfermidade. No caso de doenças como enfisema ou bronquite crônica, por exemplo, Neder conta que os pacientes são ensinados a realizar um tipo específico de respiração nos momentos de crise. "A ideia é usar os lábios como freios para retardar o esvaziamento pulmonar e, assim, tornar a respiração mais lenta", informa.

Sem pânico
Vale ressaltar que respirar vagarosamente também é dica de ouro para quem sofre de transtorno do pânico, um quadro caracterizado por ataques repentinos de medo. "Durante a crise, a primeira recomendação é sentar e se concentrar na respiração. Isso porque quando ela está acelerada, altera os receptores cerebrais, causando sensação de falta de ar, tontura e taquicardia", explica o médico psiquiatra Daniel Philippi de Negreiros, de Florianópolis (SC).


Relaxamento é desaceleração!
Por Mauricio Bastos

Tanto se fala em estresse, mas pouco se discute sobre relaxamento intenso. O estresse tem conexão direta com um estado de tensão crônica, apreciada sem moderação pelo homem moderno. Cada vez mais obrigações, atividades, compromissos, metas, projetos... Com esse pensamento de "chegar lá", você acaba esquecendo que existe "um aqui e um agora".

O sentimento de exaustão permanente simboliza pressa, dúvida, medo, desejo. No estresse, o organismo responde com cortisol e adrenalina e tende a perder a habilidade natural para reconhecer as próprias verdades, tornando as respostas automatizadas e gerando ainda mais nervosismo e ansiedade.

Por outro lado, o relaxamento está ligado à desaceleração de tudo: comer, andar, falar, ler e principalmente respirar. Ao descansar, o organismo responde com endorfina - hormônio ligado ao prazer e à sensação de bem-estar. Quanto mais relaxado, melhor a capacidade para fazer escolhas e mais consciência para perceber as verdadeiras necessidades do corpo e da mente. Relaxamento é aceitação, entrega sem expectativas. Sair do controle, mas permanecer consciente. Esta "atitude" desenvolve um contato mais íntimo consigo próprio, com a vida e suas relações.

* Mauricio Bastos é terapeuta e desenvolveu seu método particular de atendimento chamado Terapia do Ser, cujo propósito é o desenvolvimento da compreensão e aceitação real da verdadeira identidade. (11) 4702.4838 / www.espacointegracao.com.br

Inspirar e expirar lentamente pode eliminar 80% das toxinas e blindar o organismo contra encrencas

Quando não controlado, esse processo vira um círculo vicioso e o paciente passa a respirar cada vez mais rápido e a se sentir pior. "Por isso é importante aprender a inspirar e expirar de forma mais lenta. Quando isso acontece, é possível reduzir a duração e a intensidade das crises", diz o especialista.

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