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Edição 53
 
 
 

 
 
eco e cidadania
 

A vez das bicicletas


Elas são baratas, saudáveis e, além de driblar o trânsito, não poluem o meio ambiente. Pedale para viver mais e melhor!


Por Rodrigo Gallo


 

Você sabe o que Amsterdã tem em comum com Buenos Aires e Paris? Bicicletas como meio de transporte! Existem 550 mil magrelas em circulação na capital holandesa e 90% das ruas já têm áreas específicas para elas. A estimativa na cidade argentina é de criar pelo menos 100 km de ciclovias até dezembro deste ano. Já na França, há impressionantes 700 km de pistas. Quem anda por lá fica espantado com a quantidade de bikes circulando; as pessoas as utilizam para ir ao trabalho, escola ou, simplesmente, passear. Os municípios brasileiros caminham para esse "sonho ecológico", mas ainda é preciso mais investimentos e segurança para os ciclistas.

Vá de bike!
O transporte em duas rodas é vantajoso para todos, pois pedalar resulta na queima de calorias (veja box), tonifica os músculos e melhora o desempenho do sistema cardiovascular de quem pratica. Sem contar que reduz os congestionamentos e não emite poluentes na atmosfera.

Para se ter ideia, em São Paulo, cerca de 4 mil pessoas morrem todos os anos por problemas do coração e respiratórios. Vale dizer que a fumaça dos escapamentos responde por praticamente 70% desses óbitos. E tem mais: segundo o médico Paulo Saldiva, coordenador do Laboratório de Poluição da Universidade de São Paulo (USP), uma criança exposta a toda essa sujeira tem quatro vezes mais chances de desenvolver doenças pulmonares. "Perde-se, em média, US$ 1,5 bilhão por internações, redução de expectativa de vida e mortes causadas pela poluição". A boa notícia é que os governantes brasileiros decidiram apostar nessa alternativa ecológica; a capital paulista, por exemplo, possui cerca de 40 km de ciclovias. É pouco perto dos 140 km de faixas exclusivas do Rio de Janeiro e dos 100 km de Curitiba, mas já é um avanço bastante significativo. "Uma das principais formas de reduzir os congestionamentos sem dúvidas é investir em meios alternativos, como as ciclovias", endossa o engenheiro civil Fernando Westphal, de São Paulo.

 

Por conta da poluição, 4 mil pessoas morrem em São Paulo todos os anos com problemas cardiovasculares e/ou pulmonares

 

Pedalar x caminhar
Cálculos de um simulador desenvolvido pela nutricionista Márcia Gonçalves, de São Paulo, mostram que se um homem de 70 quilos pedalar por 30 minutos vai queimar em média 140 calorias. Pode subir para 280 calorias caso a pessoa acelere. Fazer o mesmo trajeto a pé resultaria em uma perda um pouco menor de calorias: de 120 a 200 kcal.

 

Anjos em duas rodas
Os números confirmam que o Brasil tem uma grande aspiração às magrelas, e isso pode ajudar no desenvolvimento de uma cultura sobre duas rodas. O País é o terceiro maior produtor de bikes do mundo - atrás apenas da Índia e da China - e o quinto maior consumidor. Só no ano passado, de acordo com dados da Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo), foram produzidas 5,4 milhões de unidades, sendo que 70% delas foram destinadas a adultos.

Por isso, as bicicletas já conquistaram importantes espaços, como no transporte público, por exemplo. Em São Paulo, há a opção de entrar nos trens e metrôs com a magrela. A pessoa sai de casa pedalando, vai até a estação mais próxima, entra no vagão com a bike, desembarca e continua a se exercitar. Além disso, diversas estações possuem locais para estacioná-las - ou até mesmo para alugá-las. Outros municípios têm esquemas semelhantes, como Belo Horizonte, onde os ciclistas podem embarcar com suas magrelas em determinados horários.

 

Antes de sair por aí pedalando, lembre-se de utilizar capacete e os demais equipamentos de proteção

 

Porém, muita gente ainda tem receio de sair por aí pedalando, devido às ruas movimentadas, a falta de sinalização e o desrespeito dos motoristas. No entanto, essa condição pode mudar: um grupo de ciclistas chamados "bike-anjos" tem a missão de incentivar as pessoas a utilizar a magrela no dia a dia, de forma segura. Funciona assim: nos primeiros dias, eles acompanham o novato pelas ruas, traçam o melhor caminho e orientam quanto aos equipamentos de proteção (veja box). É uma espécie de curso de sobrevivência na selva de pedra. "Nosso objetivo é colocar mais um ciclista na rua e mais um carro na garagem", conta Carlos Aranha, membro do time "bike anjos".

 

 

Equipamentos de segurança
Entre os acessórios necessários estão: capacete, joelheiras, cotoveleiras, retrovisores, buzina e farol "olho de gato". O investimento sai por R$ 200, em média, dependendo da marca dos itens. Também não se pode descuidar da manutenção da magrela, que deve ser feita, pelo menos, a cada seis meses.





Você sabia?
Alguns famosos já são adeptos da bike; um deles é o músico David Byrne, da banda novaiorquina Talking Heads e autor do livro Diários de bicicleta (editora Amarilys). Não é muito difícil encontrá-lo pedalando pelas ruas de Nova York. Por aqui, figuras políticas, como o Secretário Municipal do Verde e do Meio Ambiente Eduardo Jorge, e a jornalista e cineasta Soninha Francine também incentivam e praticam o movimento pró-duas rodas.

 

Outras informações
Associação dos Ciclistas Urbanos de São Paulo
www.ciclocidade.org.br
Bike-anjo
www.bikeanjo.com.br

 

 
 
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