Dieta
 Cardápio sem lactose
A intolerância a esse açúcar presente no leite é muito comum. Conheça as causas e saiba como controlar a alimentação e conviver bem com o problema Por Daniela Grinbergas
Desde pequenos, aprendemos que o leite é a principal fonte de cálcio e, por isso o incluímos na alimentação diária. Entretanto, o organismo pode não responder bem à ingestão, e o resultado são dores abdominais, cólicas e diarreias. Nesses casos, é preciso atenção, pois esses sintomas sugerem uma intolerância à lactose, um problema muito comum, sério, mas fácil de contornar com acompanhamento médico.
A lactose – açúcar presente no leite –, quando ingerida, é quebrada por uma enzima humana que trabalha na mucosa do intestino delgado, a lactase. Na ausência dessa enzima, a substância não pode ser absorvida. “Assim, ela permanecerá no órgão e será fermentada pelas bactérias locais, provocando incômodos na região”, salienta a nutricionista Juliana Crucinsky, do Rio de Janeiro. A deficiência pode ser genética, diagnosticada na infância, ou ainda é possível que a produção da enzima diminua na fase adulta.
O diagnóstico
Ele é confirmado por meio de três testes: de intolerância, de hidrogênio na respiração e de acidez nas fezes. No primeiro, o paciente recebe uma dose de lactose em jejum e depois de algumas horas são colhidas amostras de sangue que indicam os níveis de glicose. Já no segundo, a pessoa consome altas concentrações da substância e o médico analisa o hálito pela expiração do ar. Se o nível aumentar é sinal de mau processamento de lactose no organismo. E, por fim, o de fezes, realizado normalmente depois da ingestão de lactose. Ele detecta ácidos resultantes de má digestão do açúcar.
Quando o caso é genético, não há cura, mas é possível contornar a situação com uma dieta direcionada. “Deve-se ter uma vida saudável com cardápio rico em frutas, verduras, legumes e proteínas. Evite o excesso de alimentos industrializados e processados”, recomenda a especialista carioca. Para quem não abre mão do leite, o mercado traz o produto com baixo teor (ou nenhum) de lactose e opções feitas com soja. “Vale lembrar que queijos maturados e iogurtes fermentados apresentam pouco desse açúcar, pois os micro-organismos utilizados em sua produção o digerem”, explica a nutricionista e gastroenterologista, Tatiane Loidi Garbugio, de Maringá (PR).
Os problemas surgem quando a intolerância não é descoberta precocemente, ou quando o paciente não segue as orientações corretamente. “A diarreia crônica pode causar desidratação [mais grave em crianças e idosos], perda de peso, anemia, osteoporose e comprometimento da saúde devido às diversas deficiências nutricionais decorrentes da má absorção”, alerta a nutricionista.
A intolerância à lactose pode ser genética, diagnosticada na infância, ou ainda é possível que a produção da enzima (lactase) diminua na fase adulta
Muito ou pouco intolerante?
A quantidade de lactase produzida pelo corpo varia de pessoa para pessoa. “Algumas possuem uma deficiência mínima na produção da enzima, enquanto outras não a produzem. Isso afeta o nível de intolerância”, afirma a nutricionista Patrícia Modesto, do Hospital Albert Einstein (SP).
Há diferentes tipos de intolerância: deficiência congênita da enzima, ou seja, uma falha genética rara em que o indivíduo nasce sem a capacidade de produção da enzima; a diminuição enzimática secundária a doenças intestinais, comum no primeiro ano de vida, quando há uma deficiência temporária na fabricação da lactase devido à morte das células da mucosa intestinal, mas que se reverte sozinha; e a deficiência primária ou ontogenética, que ocorre com o passar dos anos, já que existe uma tendência natural à diminuição da sua produção.
A severidade dos sintomas vai depender da quantidade ingerida e da tolerância individual à lactose. “Dependendo do indivíduo e conforme orientação médica, deve ser feita a exclusão parcial ou total da lactose na alimentação”, informa a profissional paulistana.
Proibidos e permitidos
Os alimentos que não podem ser consumidos por intolerantes à lactose são: leites de vaca, cabra, ovelha e seus derivados, chantilly, achocolatados, panquecas, licores, pudins e muitos outros produtos industrializados. Fique de olho! Os rótulos devem trazer um indicativo que aponte a presença da lactose nos itens. Dentre os permitidos estão leites de soja, iogurtes à base de soja, tofu, doce de coco, doces em calda, leite de coco, carnes, cacau em pó, geleias, creme de amendoim, bala de coco, tahine.
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Compensando a falta de leite
A bebida, apesar de ser bastante nutritiva, pode ser substituída no cardápio. “O importante é que os nutrientes essenciais sejam fornecidos de outro modo”, afirma Juliana Crucinsky. Se a preocupação for com relação ao cálcio, há alimentos que fazem o papel de substitutos. “Em 100 mililitros de leite encontramos 125 gramas de cálcio, mas em 100 g de espinafre há 135 g, e em 100 g de tofu existem 205 g”, compara Tatiane Loidi Garbugio. Ela ainda indica sardinha, gergelim, couve e repolho como boas fontes desse mineral.
“Em alguns casos mais sérios de deficiências nutricionais, o médico pode receitar cápsulas de lactase, que auxiliam na digestão do açúcar”, lembra a nutri- cionista e fitoterapeuta Vanderlí Marchiori, de São Paulo. Mas vale lembrar que somente o profissional pode avaliar a necessidade de suplementação e indi- car a melhor maneira de fazê-la.
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