 Silêncio, por favor!
Entenda como a poluição sonora pode afetar as mais diferentes áreas do nosso organismo e as alternativas para amenizar esse problema Por Lila de Oliveira
Estudo realizado por pesquisadores alemães concluiu que, por trás de um leve desconforto no ouvido, há dezenas de problemas que acometem a saúde. Entre as principais conclusões da pesquisa, chama atenção a comprovação de que o barulho pode estar diretamente ligado ao enfarte, à hipertensão arterial, entre outras doenças.
O cardiologista Allyson Nakamoto, do Hospital Beneficência Portuguesa, de São Paulo, aponta que quanto mais ficamos expostos ao barulho excessivo, maiores são as chances de desenvolvermos problemas cardiovasculares. Isso porque o ruído cria um alerta no organismo, que de forma instintiva tenta se defender, enviando mais sangue para os músculos. “Esse mecanismo exige que o coração trabalhe intensamente”, informa o neurofisiologista Fernando Pimentel, da Universidade Federal de Minas Gerais. “Se com baixa exposição a ruídos ocorrem de 70 a 80 contrações por minuto, esse índice sobe para 110 com o barulho intenso e, em casos extremos, pode chegar a 180, o que aumenta o risco de derrames e pressão alta, entre outros males relacionados à circulação”, explica.
O que pode surpreender ainda mais é o fato de que, mesmo enquanto dormimos, estamos sujeitos aos efeitos nocivos dos ruídos. “O nervo auditivo envia uma quantidade muito grande de informação ao cérebro quando exposto a sons acima de 30 decibéis. O problema é que, para garantir a reposição da energia gasta durante o dia, as atividades cerebrais precisam ser bem mais restritas durante o sono”, ressalta Pimentel.
A consequência imediata é a falta de disposição na manhã seguinte e a sonolência diurna, que prejudicam diversos setores de nossas vidas e, especialmente no caso das crianças, dificultam o processo de aprendizagem. “Isso sem falar que, quando sonhamos – no estágio mais profundo do sono, que demanda silêncio –, consolidamos a memória das cenas vividas, sobretudo as emocionais, o que de certa forma pode ser considerado uma terapia, pois nos ajuda a organizar os pensamentos e até mesmo achar soluções para problemas pelos quais passamos”, acrescenta o especialista.
Hora de dormir
Para ter um sono tranquilo, tente se exdeitar sempre no mesmo horário, preferencialmente às 22 horas – período mais silencioso do dia. Se a sua casa fica em uma rua muito movimentada, a opção é instalar portas e janelas antirruído. A alternativa tem custo alto, mas os benefícios são infinitos.
Para a arquiteta Maria Teresa Saldanha, do Instituto Brasileiro de Feng Shui, é importante manter o quarto bem iluminado, ventilado, limpo e organizado. “A bagunça física pode trazer desordem mental e emocional”, justifica. Outra dica é deixar a cama de frente para a área de passagem e nunca perto da parede por onde passa a tubulação do banheiro. É bom também evitar cores fortes e muitos espelhos, de forma que o ambiente permaneça acolhedor.
Direto ao ponto
Alguns são mais sensíveis ao som e só conseguem dormir com tampões de ouvido. “Eles garantem boa vedação, reduzindo significativamente a sensação de incômodo e os danos causados pelo barulho”, afirma Patrícia Monteiro, mestre em fonoaudiologia pela Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP). É possível escolher entre os protetores de inserção – que devem ser maleáveis – e os externos, desde que possuam o certificado de aprovação da Secretaria Nacional do Trabalho, que atesta sua segurança e eficiência.
Empresas em que o excesso de ruído é constante são obrigadas a fornecer equipamentos de proteção auricular a cada funcionário. De acordo com a profissional, o empregador deve, ainda, garantir que todos conheçam os riscos a que estarão sujeitos caso deixem de colocar o tampão e que saibam como utilizá-lo e higienizá-lo de forma correta. “Essas medidas garantem que as condições de proteção sejam mantidas”, alerta.
Segundo o otorrinolaringologista José Ricardo Testa, do Hospital 9 de Julho (SP), mesmo os funcionários que fazem uso regular do equipamento precisam se submeter ao teste auditivo pelo menos uma vez a cada seis meses. Quem tem histórico familiar de surdez ou mais de 70 anos também deve se prevenir, realizando o exame anualmente. “Isso porque as pessoas geralmente não percebem que estão começando a perder a audição”, confirma.
Aprenda a meditar
Para minimizar os efeitos nocivos que os ruídos causam ao sistema nervoso, a meditação é uma excelente ferramenta, à medida que promove o “esvaziamento” da mente. “É uma técnica que estimula a concentração e reorganiza os pensamentos, proporcionando o relaxamento dos músculos e aliviando as tensões físicas e emocionais geradas pelo barulho”, assegura a terapeuta psicocorporal Elaine Lilli Fong, do Instituto União (SP). Já a fonoaudióloga Célia Kuperman, consultora do Instituto Qualidade de Vida, também na capital paulista, sugere que a prática seja realizada em um ambiente silencioso – ou com músicas suaves –, que tenha baixa luminosidade e temperatura agradável.
O barulho em excesso pode ser ainda mais prejudicial à saúde enquanto estamos dormindo
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Atenção à malhação!
Músicas aceleradas, geralmente em volume altíssimo, costumam ditar o ritmo do exercício físico nas academias de ginástica. O que pode parecer apenas benéfico, por ser estimulante, nem sempre é saudável, pois o gasto de energia acaba sendo maior. A liberação da endorfina passa, então, a ocorrer mais rapidamente, proporcionando ainda mais prazer a quem pratica a atividade. Nesse estágio, a pessoa fica “anestesiada” e muitas vezes não percebe a intensidade do esforço que está realizando, o que pode levar a lesões musculares e perda de equilíbrio. A força exagerada também exige uma maior circulação de sangue nos músculos, acelerando o coração, o que pode ser bastante perigoso.
Fonte: Fernando Pimentel, professor titular de neurofisiologia da Universidade Federal de Minas Gerais |
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